terça-feira, 26 de agosto de 2014

                                                                   Infância e juventude
     "Juventude louca. Era boa, pois aquele tempo podíamos sair em grupos, fazer festas, cantar nos bares na cidade e agora não funciona mais assim. Nos divertíamos sem drogas, bebidas...
      Naquele tempo existia juiz dos menores e não conselho tutelar. Menor de idade não ficava na rua depois das 22:00 horas.
      Fazíamos muitas serenatas para os amigos que estavam de aniversário ou aqueles que ingressavam na faculdade. Muitas surpresas eram feitas naquele tempo. Caminhávamos quilômetros para conseguirmos essas façanhas. Aquela época era saudável. Não existia violência como hoje.
Saudades infância e juventude, saudades."

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Infância e Juventude - Santina e José

Meus avós nunca tiveram uma vida fácil, sempre tiveram que ajudar, seja na roça ou em casa. Relatavam que brincavam das mesmas coisas no pouco tempo que lhes sobrava, pois tinham que trabalhar e quando sobrava algumas horas, a mãe pegava a menina para ensinar a bordar e o pai pegava o menino e ia ensinar a carpir o lote. Meu avô contava que ele e seus irmãos cortavam pinheiros só para ouvir o barulho quando caia ao chão.
Conheceram-se na juventude e logo começaram a namorar, saíam para fazer o "filó", típico da cultura italiana, que até hoje persiste nas comunidades rurais.

Memórias de minha avó - Santina Rebelatto Bessega

Sou Jaqueline Bessega, neta de Santina Rebelatto Bessega, de descendência italiana. Minha avó paterna nasceu na cidade de Cotiporã, na capela de São Caetano, no dia 4 de abril de 1927. Trabalhou sempre como dona de casa e casou-se com 19 anos com José Bessega. A história que minha "vó" contava é que achava que estava grávida, por isso casou-se cedo. Teve 9 filhos, meu pai sendo o homem mais novo, tendo apenas mais uma mulher depois dele. Faleceu no ano de 2011, no dia 10 de maio. Deixou 17 netos e 9 bisnetos, além de seus filhos e seu marido, que veio a falecer pouco tempo depois. Era muito feliz e cuidadosa, e cozinhava muito bem! Sinto saudades dela e ainda tenho todos os chapéus de palha, bonecas e brinquedos que ela fazia pra mim.

Memórias do meu avô - José Bessega

Meu avô, carinhosamente chamado de Béppi por todos, nasceu no dia 4 de julho de 1926, na cidade de Cotiporã, capela de São Valentim. Foi agricultor e carpinteiro. Adorava jogar quatrilho, passando as tardes de domingo no Salão da comunidade de São José, Fagundes Varela, onde mudou-se com minha vó em 1972. Era muito alegre e adorava tomar vinho. Analfabeto, sabia escrever apenas seu nome e fazer contas. Possuía um alambique onde produzia cachaça. Depois do falecimento da minha avó, ficou muito triste, passando por muitos problemas de saúde, mas sempre estando ao lado de seus filhos, netos e bisnetos. Sempre nos deu muito amor e é assim que costumamos lembrar dele. Faleceu no dia 6 de agosto de 2013. Toda vez que conversamos sobre ele, é impossível não nos encher de lembranças boas e saudade.

Infância e Juventude, minha avó Gemi

          Pouco se recorda da sua infância, apenas lembra que brincava com bonecas, poucas já que naquela época não podiam comprar, sempre que se lembra do seu passado, se vê na lavoura, ajudando o pai e a mãe. Lembra-se das idas para a escola, sempre à cavalo, pois não tinha outro meio de locomoção a ser as pernas e os cavalos, ela e seus irmãos apostavam corridas, chegaram a cair na valeta que tinha a 100 metros de chegar na escola e por obrigação dos pais foram obrigados a permanecer sujos até o término do dia letivo. 

      Na sua juventude, teve 2 namorados, não quis revelar o nome do primeiro, só mencionou que este tinha feito um porre na sua casa na frente de seus pais, arrumou briga com os vizinhos e assim, Gemi decidiu deixá-lo. Ficou sozinha até completar 18 anos. Alguns meses depois conheceu José. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Namoro e Casamento - Luiz e Irema Parise

"O namoro não era como os dias atuais, não podíamos nem andar de mãos dadas. Nosso primeiro encontro foi em uma festa de capela, em São José da 3ª, município de Veranópolis. Namorávamos apenas nos domingos, e eu (Luís) ia para casa à cavalo. Após 3 meses de namoro noivamos. O casamento foi em um dia de chuva e foi extremamente difícil para chegar até a Igreja Matriz São Luiz Gonzaga. Casamos no dia 14 de dezembro 1957. Os padrinhos do casamento foram Jandira e Edílio Fabbi e Terezinha e Volmar Tomazzi."


Minha infância e juventude
"Brincavamos eu e minhas irmãs de boneca de milho e de pano, fazíamos casinha e brincava com terra. Na época perto da casa aonde residia tinha um rio onde tomávamos banho. 
Estudei até 3ª série, porque tinha que trabalhar na lavoura e ajudar na lida da casa.
Minha mãe não era muito participativa comigo e com meus oito irmãos, talvez pela criação que teve ou mesmo por falta de tempo.
Lembro-me também que brincavamos de roda com os colegas, de esconde-esconde. E passeava na casa de todas elas. Lembro também que tinha uma professora chamada Glória que por inúmeras vezes me colocou de castigo de joelhos no milho ou no grão de feijão.
Na juventude apaixonei-me pelo primeiro e último amor da minha vida, eu era italiana ele caboclo, por este motivo meus pais muito severos que eram não me deixavam namorá-lo. Então sempre fui decidida, e aos 17 anos fugi de casa, no início foi difícil mas depois viram que ele era um bom moço e que os ajudou mais que alguns filhos o aceitaram.
Depois disso tudo saímos raras vezes, nós íamos em bailes, em torneios de futebol e em festas de comunidade, pois trabalhávamos muito."


         

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

        Namoro e Casamento – Valdomiro e Jurema Fabi

         Meus avós nunca foram de “tocar” nesses assuntos comigo. Confesso que quando fui ao encontro deles para tirar minhas dúvidas sobre esse momento na vida dos dois, eles demonstraram-se receosos. Acho um pouco engraçado, pois eles não devem se envergonhar de um momento tão belo e cheio de amor, que foi vivenciado pelos dois.
         Tanto minha avó quanto meu avô, sempre foram muito “parados”, ou seja, sentiam vergonha um do outro, não sabiam como “chegar” para conversar, coisa que acontece algumas vezes nos dias de hoje.
         A “Vó Mema” (apelido carinhoso que dei para minha avó) mencionou que eles só se comunicavam por cartas e “lá de vez em quando”. Era muito raro o contato físico entre os dois, por causa da distância. (Meu avô morava em Santa Catarina e ela aqui, em Veranópolis).
         Já, segundo o “Vô Miro” (apelido carinhoso que dei para meu avô) comentou que a primeira vez que eles se encontraram, depois de 1 ano, foi 3 dias antes do casamento dos mesmos. Dá para acreditar?
         Meus avós se casaram e uns 4 dias depois já estavam morando juntos. Passaram algumas dificuldades, mas o amor prevaleceu! J
          


“Se um dia passarem por momentos difíceis, olhem nos olhos um do outro e resgatem o amor verdadeiro que os uniu. Ele lhes dará forças para superar e seguir.”

                                         - Charline Zaccaria Fabi

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

NAMORO E CASAMENTO - DINA DALL'AGO SCUSSEL

"Conheci Adolfo quando ainda era jovem. Adolfo Scussel serviu o Exército no que era chamado de Tiro de Guerra, em Cotiporã. O nosso namoro durou aproximadamente três anos na década de 1940. Eu era bordadeira e muito bonita. Adolfo era sapateiro e muito inteligente, conseguindo tirar o 1º lugar no Tiro de Guerra nº 320 de Cotiporã, auxiliando o Sargento Comandante Filinto Dias nas instruções aos soldados. 

O casamento aconteceu na Igreja Matriz de Cotiporã às 17h e o banquete foi no famoso Hotel Tonial, de Zeferino Tonial, que serviu um maravilhoso jantar para aproximadamente 100 pessoas. No dia do Casamento, 27 de novembro de 1948, o clima estava ótimo e era um belo dia de sol. Fomos morar na casa localizada na esquina da Rua Silveira Martins com a Rua Souza Lobo, em Cotiporã. No porão havia a sapataria onde Adolfo produzia maravilhas de couro (sapatos, botas, cintos, guaiacas...).

Adolfo morreu em março de 1975, com 55 anos." diz Dina, sobre seu namoro e casamento com Adolfo Scussel.



Dina e Adolfo passeando em Cotiporã quando eram namorados.
Namoro e Casamento
Os namoricos de antigamente aconteciam geralmente entre nós, alunas do Regina e os meninos da escola Divino Mestre quando saíamos da escola, também quando nos desfiles e ensaios de 7 de setembro. Mas os nossos namoricos, eram somente de se olhar, ficar do lado, conversar... não era nada como agora que todo mundo beija todo mundo e um atrás do outro e bom de todos os absurdos que nós sabemos que acontecem.
Eu comecei a namorar com o Ilírio quando tinha 15 para 16 anos. Ele fazia parte do aeroclube e passava de avião, “teco-teco” por cima da minha casa, ficava fazendo piruetas e giros, sendo que a minha mãe saia para fora e perguntava em italiano quem era aquele louco que estava sempre em cima de casa. Íamos  a bastante festas juntos no clube, nos carnavais, festas juninas, sempre com um grande grupo de amigos.
Nós não íamos na casa um do outro, nem ficávamos dando beijinhos, andávamos de mãos dadas ou abraçados, mas não era costume ficar “grudado”, era muito feio. Nos divertíamos muito.
Nos casamos no dia 05\09\1957, tive dois filhos, o pai da Layna, Fernando Pessin quando eu tinha 24 anos, sendo que ele nasceu no dia 15 de março e minha filha Daniela Pessin no dia 12 de maio quando eu tinha 30 anos de idade.

Sou muito feliz, meus filhos sempre foram maravilhoso, especialmente por me darem os orgulho de ter quatro netos tão queridos e especiais.


terça-feira, 19 de agosto de 2014


LUIZA SOTILLI GASPARIN

Luiza Sotilli Gasparin nasceu no dia 12/07/1926 em Santo Antônio – Fagundes Varela. Filha de Jorge Sotili e Jovana Demarchi Sotili. Teve nove irmãos: Pedro Sotili, Pierina Sotili, Guerino Sotili, Dozalina Sotili, Irene Sotili, Reinaldo Sotili, Vilson Sotili, Fiorelo Sotili e Avelino Sotili.
Morou com seus pais até os 24 anos e em 1950, casou-se com Arduino Gasparin e mudou-se para São Valentim – Veranópolis onde ainda permanece morando. Contou-me que morava em uma casa feita de taquara e barro e era de chão batido. O almoço e o jantar era quase sempre polenta, queijo e salame. Para comer a famosa polenta, eles tinham que esmagar o milho com um martelo e como não tinham fogão, penduravam a panela com uma corrente no teto da casa e acendiam fogo embaixo dela para cozinhar.
Ela lembra também, que os ovos, eram cozidos nas cinzas do fogo. Luiza trabalhou muito na infância. Tirava areia dos barrancos e ia até o rio para lavar. Cuidou dos irmãos mais novos, pois ela era uma das mais velhas. Trabalhou muito na roça, plantava e colhia trigo, plantava feijão, tirava uva, etc. Dos nove irmãos, apenas cinco estão ainda vivos.

A “NONA” está com 88 anos agora, e ela diz que ainda está viva, pois todos os dias toma à famosa “gaipira” (caipira), o copo de vinho e o chimarrão. 


Namoro e casamento - Cleuza Rodrigues Lora

       Comecei a namorar nos meus 17 anos, quando meus pais descobriram, eles aprovaram pois meu namorado era muito trabalhador. Não saímos de casa por que não tinha lugares onde pudéssemos ir para namorar, namorávamos com a supervisão dos pais.
      Depois de 4 meses, estava grávida da minha primeira filha e um mês depois que ela nasceu, me casei, na década de 80. O casamento só se realizou porque a safra de soja naquele ano rendeu bastante dinheiro e assim foi possível cobrir todos os gastos com o casamento.
       Foi um dia muito emocionante e lindo na minha vida. Após um ano tive meu segundo filho, após outro ano meu terceiro,após outro ano tive outra filha e então depois de 6 anos, nasceu meu filho mais novo. 
         Todos nós trabalhávamos na roça e os irmãos cuidavam um do outro.
         Fiquei casada por 32 anos, meu marido infelizmente, faleceu em 2012.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Casamento e Namoro - Zeni Cazarotto

“Meu namoro foi de três anos desde que nos conhecemos, aí casei com 18 anos, e morávamos em Barra Curta Alta - Constantina. Com 19 anos, nasceu minha primeira filha, na época morávamos no interior e era bem difícil cuidar dela e ao mesmo tempo trabalhar na roça. Depois de três anos veio o segundo filho, um homem, e minha sogra sempre me ajudou muito a cuidar deles. Eu e meu marido gostávamos de assistir jogos de futebol. Era muito bom, e nos divertíamos muito em família. Também íamos passear.

Hoje moramos em Campo Verde , Mato Grosso. Vivemos bem, meu marido dirige carretas e eu cuido da casa. Nossos filhos são já independentes e cada um seguiu seu caminho.” 

domingo, 17 de agosto de 2014

Namoro e Casamento , memórias

Olá, meninas!

Cada vez me encanto mais com as memórias que aqui estão sendo compartilhadas. As histórias que aqui estão sendo registradas tornam nossa aprendizagem significativa em valores, conhecimento de si e das pessoas que estão ao nosso redor, isso enriquece nossa convivência. 
Seus relatos estão sendo encantadores, e a escrita de cada uma está tornando este blog um espaço de trocas e valorização das memórias de nossos avós, fazendo assim com que se mantenha viva as vivências de pessoas tão especiais em nossas vidas. 
Para esta semana  trabalharemos com a temática : Namoro e Casamento. Pesquise com seus avós sobre hábitos ligados a esses temas, suas impressões quanto as mudanças e permanências culturais relacionadas a essa temática em nossa sociedade, e quais as lembranças que eles carregam em suas memórias sobre isso. 
Meninas , as fotos são enriquecedoras e ajudam a ilustrar os relatos orais, quem tiver a possibilidade de fazer o uso delas , faça, isso só tornará os relatos mais significativos. 

Boa pesquisa, aguardarei ansiosa as próximas lembranças ....

Beijos, profe Iza. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Memórias da Infância e Juventude de minha Avó Jurema e meu Avô Valdomiro.


Tanto a infância quanto a juventude de minha avó Jurema Fabi, não foi nada fácil. Como mencionei na postagem anterior, ela trabalhou desde os dez anos de idade. Sua infância se resumiu em: ir para a escola, ajudar a preparar as refeições para os demais alunos, recolher as sobras de comida e levá-las até seus familiares que trabalhavam no serviço pesado.

Com relação aos estudos, minha querida avó teve a oportunidade de concluir o ensino fundamental, porém, não conseguiu “assimilar” muito a leitura e a escrita. Comparada à vida de meu avô Valdomiro, ela não teve tantas dificuldades.

Já na infância e na juventude de meu avô, consigo perceber que houve muito sofrimento e muita tristeza. Infelizmente, meu avô também começou a trabalhar muito cedo, com dez anos. Ele não teve tantas oportunidades como minha avó, por exemplo: Não conseguiu terminar o ensino fundamental, trabalhou em vários locais, não somente na “roça”, para simplesmente ajudar seus pais a pôr comida na mesa.

Ainda adolescente, teve que partir para Santa Catarina, onde conheceu o verdadeiro significado da palavra “sofrer”. Perdeu duas irmãs ainda jovens e passou por algumas doenças, que quase o levaram a morte.

Entretanto, a vida de ambos sempre foi regada de muitos sonhos e ambições. Apesar de sofrerem pelos entreveros que lhes foram impostos, minha avó, por exemplo, sempre sonhou em formar-se Costureira e fazer suas “roupinhas”; Meu avô mencionou-me que quando era mais novo, sempre teve o desejo de mexer com carros, com ferramentas desse feitio, porém, a realidade era totalmente o contrário.





“Você não pode evitar que a dificuldade bata à sua porta; mas não há necessidade de oferecer-lhe uma cadeira.”  Joseph Joubert.


                                - Charline Zaccaria Fabi.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

 Memórias de meus avós Valdomiro e Jurema Fabi


        Nós, adolescentes, vivemos em um mundo em que conseguimos tudo de “mão beijada”, que não precisamos nos “esforçar” tanto para conquistar algumas coisas,... Só que nem sempre foi assim, aliás, não é assim. E eu, neste pequeno momento, irei relatar a história de vida de meus avós; Jurema e Valdomiro Fabi, que mais do que ninguém, sabem o que é passar por grandes dificuldades para simplesmente ter um prato de comida na mesa.


         Primeiramente irei relatar um pouco da trajetória de meu avô. Nascido em Veranópolis e criado em Santa Catarina, Valdomiro Fabi sempre soube o que é precisar trabalhar desde pequeno, passando por inúmeras dificuldades.
  

         No momento em que chegaram a Santa Catarina, toda família deparou-se com inúmeros afazeres e serviços pesados. Foram então, a procura de materiais de fácil acesso (madeiras, taipas...), para fazer a construção de sua moradia.


         No decorrer de suas vidas naquele local, passaram por inúmeras necessidades. A alimentação era extremamente difícil, um litro de leite deveria servir para todos, ou seja, doze pessoas. Alimentavam-se de erva-mate, caça de animais selvagens, e quando “davam sorte”, conseguiam comer polenta e pão torrado na brasa.


         Assim foram crescendo, como conseguiam. Porém, infelizmente, doenças se alastraram por toda parte, onde os mesmos residiam. Sua irmã, a mais nova, de cinco anos na época, faleceu com uma doença acarretada devido às más condições de alimentação, água imprópria para consumo e falta de higiene, devido a pouca renda familiar.



         Todos muito tristes tiveram que continuar suas vidas. Com o tempo, a cidadezinha de Guaraciaba foi crescendo e eles puderam estudar e melhorar um pouco de vida. Entretanto, outra tragédia cai sobre a família. Sua outra irmã, de dezoito anos na época, também falece; começando com anemia, acarretando uma doença muito grave: Leucemia.



         Meu avô trabalhou desde os dez anos de idade. Estudou muito pouco, mais precisamente até a quarta série. Assim, no serviço pesado, trabalhou até os trinta anos, já estando casado, com sua atual esposa, minha avó; Jurema Gasparin.

         Jurema. Minha avó, nascida e criada na comunidade do Pedancino, Veranópolis, não teve uma vida tão difícil, se comparada a de meu avô. Pôde estudar até a sexta série, e comida, casa e água, nunca lhe faltaram.

         Trabalhou, também, desde os dez anos, no serviço pesado. Quando estudava, passava a levar as sobra de comida da escola, para quem trabalhava na roça. 

          Ela, juntamente com seus pais, possuía meio de transporte da época; o cavalo, conseguindo assim, ir até “o centro da cidade”. Fazendo curso de costura três vezes por semana, no Círculo Operário de Veranópolis.


         Com vinte e um anos, conheceu meu avô, Valdomiro Fabi (que havia retornado para Veranópolis aos 22 anos). Namoraram por um ano via carta e no dia dezenove de fevereiro de 1966, casaram-se na Igreja São Luiz Gonzaga. Viajaram para Santa Catarina, novamente, dois dias depois do casamento.



         Moraram com meus bisavós durante cinco anos, tendo três filhos: Ângela, Clóvis e Clemar, meu pai. Trabalharam sempre no serviço pesado, cansaram. Decidiram então, voltar para Veranópolis, em busca de uma vida melhor, devido ao crescimento da família. Até adquirirem estabilidade familiar aqui em Veranópolis, moraram com uma irmã de minha avó. Minha avó veio para cá, grávida e infelizmente pariu seu filho Claudiomar, morto.



         Cerca de dois anos depois, Valdomiro e Jurema, tiveram mais três filhos: Diane, Crisnando e a caçula, nove anos depois, minha avó já possuindo quarenta anos de idade; Oana. Depois do nascimento de minha tia, a “safra secou” e eles criaram os seis filhos com muito amor e carinho, procurando nunca deixar faltar nada.

         Eu fui a primeira neta dos dois e a mais “cocolada”. Hoje meu avô possui setenta e um anos e minha avó, setenta. Agora já somos em sete netos e uma bisneta.

         Com eles é só alegria. Falta apenas um ano e meio para meus avós completarem cinquenta anos de casados. Cinquenta anos de muito amor, cumplicidade e companheirismo. 

      
           




"Cada ruga representa uma história. E são tantas... Quantas experiências... Quantas histórias para contar... Quantos conselhos para dar... Quanta paciência para me aturar. Esqueceram-se de suas vidas para viver em função da minha. Sempre cheios de atenção, de carinho, de amor. Vocês são o meio termo... O equilíbrio... A palavra de esperança, o colo que acolhe, o ombro, que apesar de cansado, apoia. Vocês são tudo de bom e de belo. Meus avós queridos, tenho o maior orgulho de ser sua neta! Neta dessas duas grandes pessoas!"



                                       - Charline Zaccaria Fabi.





Memória do nascimento da minha avó Gemi

         Filha de Osório Lorenço Rikelmo Marangoni e Maria Segunda Orsi, Gemi Marangoni, nasceu no dia 21 de fevereiro de 1933, no antigo Retiro, hoje Santa Bárbara.
           Naquela época poucas pessoas tinha acesso ao hospital, por isso Gemi nasceu num quarto, no sobrado da casa, ao sentir as contrações do parto, Sr. Lourenço foi buscar a parteira enquanto Dona Maria ficava em casa com os outros quatro filhos, Antônio, Danuncio, Danilo e Irema e sofrendo as dores do parto.
          Depois de Gemi nasceram mais cinco filhos: Dinarte, Remo, Rômulo, Zenaide e Luiz.
          Osório Lorenço Rikelmo nasceu no dia 16 de julho de 1904, falecendo dia 24 de outubro de 1950 com 46 anos. Maria Segunda nasceu no dia 27 de dezembro de 1906 e faleceu doa 16 de março de 1992 com 86 anos.
          Gemi é a quinta filha do casal, ao todos são dez. Hoje, depois de muitos anos, todos os irmãos de Gemi falecerem, a apenas 20 dias, o irmão mais novo, Luiz, faleceu. 

Conhecendo meus avós e sua história de vida...
v Local de nascimento: Linha Seca - Ronda Alta – RS.
v Filiação: Segundo Zanella e Amélia Zanella.
v Irmãos: Euclides, Leonilda, Luís, Geni, Hélio, Amélio, Carmen e Neiva.
v História de vida(resumo):    Na infância, passava todos os dias em casa e brincava com boneca de pano e de milho, freqüentava a escola raramente,por proibição do pai.  Trabalhava na lavoura, lavrava de arado na roça. E mais tarde lidava também com animais do sítio.
Aos 17 anos casou-se, e continuou trabalhando na lavoura.
Depois veio os filhos: Ivania, Silvânia e Ivan.
Mais tarde depois do nascimento da 1ª neta, mudou-se para Veranópolis e trabalhou por algum tempo na fábrica JT MÓVEIS.

Hoje, ela é aposentada, e meio que moro com ela, pois a faço companhia.
Ana Maria Martins de Oliveira

Isso mesmo, Ana Maria Martins de Oliveira, nome dado a uma guerreira, lutadora, rainha e minha AVÓ. Aquela que lutou e luta pra estar onde está agora. Ela nasceu em Carazinho no Hospital de Caridade, em 28 de Abril de 1956. É filha de Augusto de Oliveira e Elcy Martins de Oliveira. Tem como irmãos, Terezinha de Jesus Martins de Oliveira e José Luís Martins de Oliveira.
“Minha vida sempre foi muito difícil, trabalhei desde meus 8 anos de idade. O dia mais marcante de minha vida, foi quando ganhei uma bicicleta Monareta, eu usava-a para trabalhar, isso aos meus 9 anos de idade.
Minha adolescência foi bastante conturbada, com pai alcóolatra e mãe guerreira, sofrida. Tudo de bom que aprendi, foi com minha mãe. Uma grande decepção marcou minha vida aos 14/15 anos, mas prefiro não registrar.
Ah, a escola... eu até estudava, mas não gostava.
Casei-me muito cedo, tinha apenas 17 anos, com Inácio Irio Hartmann para poder agradar minha mãe. Era o sonho dela ver uma filha casar-se na igreja.
Então, tive 3 filhos: Graciele Hartmann aos 20 anos, Cristiane Hartmann aos 25 anos e Cristian Hartmann aos 28 anos.
Quando minha primeira filha completou 3 anos, deixei-a com minha mãe e viajei para o Mato Grosso do Sul com meu marido. Foi muito difícil. Na volta, minha filha já havia completado 4 anos, porém, nem me reconheceu como sua mãe. Triste.
Ao completar 22 anos de casada, separei-me. A luta para terminar de criar os filhos foi grande.
Aos 45 anos, reencontrei  um antigo namorado e vivemos por mais 12 anos juntos.
Hoje, com 58 anos, moro com meus dois últimos filhos e uma neta.
Ao total, são 6 netos, inclusive Ana Gabriela Seben, minha neta mais velha.

Posso dizer que sou quase uma pessoa totalmente realizada.”

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Memórias da Infância e Juventude de minha avó Anilva
Minha infância inteira eu vivi na Palugana. Na rua, na calçada de nossa casa, havia uma banca, e quando já era noitezinha,os pais da vizinhança sentavam-se lá, para conversar, tomar chimarrão, enquanto cuidavam os filhos brincarem na rua.
 Tudo era muito calmo, a estrada era de chão e não haviam muitos carros, então podíamos brincar a vontade, além de que éramos um grupo bem grande de crianças.
Brincamos muito de Caracol (amarelinha), esconde-esconde, pega-pega, além de que na antiga oficina, duas casas depois da minha, antes era banhado, então e nós entravamos lá para brincar, para se atolar. E depois que chovia, o banhado enchia e nós podíamos entrar na água. Eu e minha irmã levávamos nossas bonequinhas de porcelana e pegávamos as latas de sardinha que minha mãe ia por fora para fazer de barquinho, passeávamos com as bonecas de barco pelo banhado.
Depois mais tarde transferiram 3 geradores do lado do banhado e um dia um menino que morava em cima daquele morro deixou a bola cair, então desceu para busca-lá, porém ele morreu eletrocutado. Eu lembro que ao redor daqueles geradores não tinha nenhuma proteção, só tinha um fio de arame farpado ao redor, mais nada, imagina o perigo para nós que não sabíamos.
Quando já estava no Normal, a escola Divino Mestre (São Luiz) vinha ensaia a banda no Regina e nós marchávamos, então tínhamos que ensaiar, porém no mês de setembro era frio e tinha bastante vendo, então nós segurava-mos as saias para o vento não levantar para os meninos não darem risada das nossas caras porque usávamos aquelas bombachinhas até o joelho, mas as freiras ficavam bravas e nos mandavam soltar as saias, tanto que tinha-mos que marchar com as mãos também, envolvia o corpo todo.
Quando acabava a aula, nós do Regina e os meninos do Divino Mestre íamos na praça, para nos encontrar e namoricar. Eu comecei a namorar Ilírio com 15 anos, mas os namoros não eram como agora que os namorados se trancam no quarto, namoram sozinhos, na minha época os namorados nem entravam dentro das casa. E eu lembro como se fosse hoje, o Ilírio passava de téco-téco em cima da minha casa e fazia voltas e voltas e giros, e minha mãe pedia em italiano “quem é este louco ali” e eu ficava bem quieta e loca de feliz.

Nós também íamos ao Matine que era lá no clube, encontrar os amigos. E íamos ao cinema, nos domingos, na segunda não íamos porque era reprise e durante a semana íamos quase sempre, só não íamos se estávamos sem dinheiro.