O blog Memórias Compartilhadas faz parte de um Projeto sobre as histórias de vida dos avós das estudantes do Curso Normal da Escola Regina Coeli, do município de Veranópolis.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
" O Tempo passa e de tudo fica a obra inteira de uma vida !"
“A gente tem tantas memórias. Eu fico pensando se o mais difícil no tempo que passa não será exatamente isso. O acúmulo de memórias, a montanha de lembranças que você vai juntando por dentro. De repente o presente, qualquer coisa presente. Uma rua, por exemplo. Há pouco, quando você passou [...] eu olhei e pensei, eu já morei ali [...]. E a rua não é mais a mesma, demoliram o edifício. As ruas vão mudando, os edifícios vão sendo destruídos. Mas continuam inteiros dentro de você.”
Caio Fernando Abreu, em Onde Andará Dulce Veiga? (1991 , p. 188)
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Educação e trabalho - José e Santina Bessega
Meus avós moravam na roça. Meu avó era analfabeto, sabia apenas escrever seu nome e fazer contas, nunca frequentou a escola, aprender a escrever seu nome foi a única forma que lhe foi ensinado algo. Sempre trabalhou na colônia, possuía animais e parreirais de uva. Tinha, além disso, um alambique, onde produzia a "graspa do Bépi", como era conhecida por todos. Sempre trabalhou muito, para ajudar a sua família e para, posteriormente, criar seus 9 filhos.
Minha avó, Santina, também era analfabeta, porém, não sabia escrever nem seu nome. Sempre foi criada para ser dona de casa, onde sua mãe a ensinou a bordar, cozinhar, lavar, passar e todas as funções que exerceu sua vida toda, cuidando muito de todos.
Minha avó, Santina, também era analfabeta, porém, não sabia escrever nem seu nome. Sempre foi criada para ser dona de casa, onde sua mãe a ensinou a bordar, cozinhar, lavar, passar e todas as funções que exerceu sua vida toda, cuidando muito de todos.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Locais de Encontro de Valdomiro Fabi
Quando conversei com meu avô ele mostrou um sorriso largo no
rosto. Mencionou as seguintes palavras:
“Eu morava em Santa Catarina. Morei lá por muito tempo, só passava
umas semanas aqui em Veranópolis para poder me encontrar com a tua avó. Nós
costumávamos caminhar de mãos dadas pelas ruas próximas à praça daqui e íamos à
missa na Igreja Matriz.
Sentávamos nos bancos que ainda continuam aqui hoje e ‘namorávamos’.
Mas não vá pensar que nós nos beijávamos, como vocês fazem hoje em dia, “pa mor
de Dio”! “Nós só conversávamos, nosso namoro era assim e nosso local de
encontro era a praça mesmo.”
![]() |
| Centro de Veranópolis antigamente. |
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| Centro de Veranópolis atualmente. |
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| Valdomiro Fabi. |
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
LUGARES DE ENCONTRO - DINA DALL'AGO SCUSSEL
"Os encontros das amigas e amigos, na maioria das vezes, eram na Praça da Matriz de Cotiporã. Também, fazíamos piqueniques nas casas das amigas que moravam no interior. Buscávamos frutas, principalmente na época das quaresmas e laranjas." diz Dina.
Construção
da Igreja Matriz e praça de Cotiporã por imigrantes italianos liderados pelo Padre
Eugênio Medichesqui, sendo inaugurada no ano de 1910.
Atual Igreja Matriz e praça de Cotiporã.
"Sobre o Monumento de Mansueto Bernardi localizado na Praça XV de Novembro, sei que foi construído em sua homenagem. Meu antigo professor, José Mauro, de Cotiporã, falava muito para os alunos do grande escritor que era Mansueto Bernardi" relata Dina.
Monumento - Mansueto Bernardi – Veranópolis - RS
Alice Scussel e Cristiane Frata
Biografia
de Mansueto Bernardi: Mansueto Bernardi foi um escritor, poeta e político ítalo-brasileiro.
Veio
recém nascido para o Brasil com sua família, que se instalou em Dois Lajeados.
Alfabetizado aos doze anos, formou-se professor primário em Montenegro, porém
continuou sua formação de maneira autodidata. Naturalizou-se brasileiro e lecionou de 1905 a 1907 em Lagoa
Vermelha, logo depois, até 1909 em Veranópolis.
Em 1909, passou em primeiro
lugar no concurso do Tesouro do Estado, sendo promovido sucessivamente.
Chefiou, a partir de 1914, a inspeção de coletorias e da revisão do Imposto na
fronteira e centro oeste do Estado, trabalho que projetou sua carreira
administrativa. Casou-se, em 1915, com Idalina Mariante da Costa com quem viveu toda a
vida.
Foi
também redator da revista lítero-social Kodak e do jornal Correio do
Povo na década de
1910, no qual colaborou até o fim de sua vida.
Em 1917, foi nomeado oficial
de gabinete do presidente da província e, em 1919, secretário da
Presidência do Estado. Em 1918 publicou, pela Livraria do
Globo, o poema Terra Convalescente. Em 1919 foi nomeado
oficial da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, assumindo depois outros
cargos públicos.
De
1918 a 1930 foi
fundador e diretor da Revista do
Globo, administrador da Livraria do
Globo e o de um dos fundadores do Almanaque do Globo,
juntamente com João Pinto da Silva, crítico, ensaísta e historiador literário.
Considerado braço direito de Henrique
Bertaso, dono da Livraria do Globo, foi responsável pela divulgação
de importantes escritores gaúchos como: Érico Veríssimo, Mário
Quintana, Pedro Vergara, Manoelito de Ornellas, Vargas Neto, Augusto Meyer, Rui Cirne
Lima, Teodomiro Tostes, Athos Damasceno Ferreira, Darcy
Azambuja, Roque Callage, Rubens de Barcelos, Alcides Maia, Moisés
Vellinho e Zeferino
Brasil. Também selecionava obras de literatura estrangeira para serem
traduzidos e publicados no Brasil.
Foi
responsável pela contratação de Érico Veríssimo, na época praticamente
desconhecido e desempregado, para trabalhar na Livraria do Globo.
Foi
nomeado prefeito de São Leopoldo por Borges de Medeiros. Seu mandato foi bem
realizado e logo depois foi eleito pelo voto direto. Durante sua gestão
construiu a primeira estrada pavimentada do estado, a São Leopoldo – Porto Alegre,
conhecida atualmente como Estrada Velha, também realizou obras de saneamento e
fornecimento de água potável à população.
Realizou,
em 1926,
a primeira reunião dos Contos gauchescos e lendas do sul, de Simões Lopes Neto, já falecido.
Participou
no movimento que veio a culminar na Revolução de 1930, que levou Getúlio
Vargas, de quem era amigo pessoal, à presidência. Participou do
governo Vargas, inicialmente como diretor do Serviço Oficial de Informações e
Controle de Notícias, foi depois nomeado, em 1931, diretor da Casa da Moeda, tendo elaborado o projeto
da criação do sistema monetário nacional, que tinha por base o cruzeiro.
Também redigiu a lei que regulava a extração da Loteria.
Aderiu,
após a revolução, ao movimento integralista, criado por Plínio
Salgado, onde foi membro da Câmara dos Quarenta e, em virtude disso,
preso por ordem da ditadura do Estado Novo em 1938. Solto, logo depois
foi destituído do cargo de diretor da Casa da Moeda e reintegrado à sua função
pública na Secretaria do Interior e da Justiça do Rio Grande do Sul.
Aposentou-se logo depois, em 1942, e retornou para Veranópolis.
Afetado
por uma doença nos olhos, seu final de vida foi dominado pela falta de visão.
A
casa que construiu em 1946, a Vila Bernardi, onde residiu nas últimas duas
décadas de sua vida, com sua biblioteca de
3500 livros, é hoje ponto turístico da cidade de Veranópolis.
Informações sobre o monumento
Localiza-se em Veranópolis, Centro;
Do lado direito da Igreja Matriz;
Está de gravata e terno;
É uma laje;
Possui 2 placas na frente e 1 em cada lateral;



segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Praça
Quinze de Novembro, Veranópolis –
Monumento
Carta Testamento de Getúlio Vargas
A placa traz a réplica da carta testamento de
Getúlio Vargas, escrita em 24 de agosto de 1954, momentos antes de sua morte.
A placa esta localizada na Praça Quinze de
Novembro, em Veranópolis. Fixada em uma pedra, esta placa tem partes feitas de
cobre.
A Carta-testamento é a despedida do político
Getúlio Vargas. É desafiadora, agressiva, quase triunfante. É um grito de
guerra, uma convocação ao povo para que leve adiante a luta de sua libertação
iniciada por ele, Getúlio Vargas. A morte não é vista como derrota, mas como
sacrifício redentor, como bandeira de luta. Maciel Filho refletiu o pensamento
do presidente sem ter sobre os ombros o peso da tragédia. Nela, a morte do
político Getúlio Vargas é uma vitória.
Carta-Testamento
Mais uma vez, as forças e os interesses
contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, me insultam; não me combatem,
caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e
impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi,
o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de
decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros
internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de
libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive que renunciar. Voltei
ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais
aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do
trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a
Justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a
liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás,
mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi
obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem
que o povo seja independente.
Assumi o Governo dentro da espiral
inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas
estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que
importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por
ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos
defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia
a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a
hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em
silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que
agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as
aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo
brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar
sempre convosco. Quando vos humilharem sentireis minha alma sofrendo ao vosso
lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia
para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu
pensamento a força para a reação. Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome
será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal
na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio
respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha
vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse
povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício
ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei
contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias,
a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a
minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da
eternidade e saio da vida para entrar na história.
Lourdes
Manoel Maragno: Os locais de encontro sempre foram na praça, onde os jovens se
encontravam para conversar e ter um tempo de lazer para se divertir.
Antigamente sempre íamos com a família como até hoje as pessoas vão.
Sabrina e Angélica
domingo, 28 de setembro de 2014
Monumento em Homenagem ao tropeiros fundadores da Colônia de Alfredo Chaves - Ana Paula e Maiara
Descrição do monumento
O monumento, em sua estrutura, tem base feita com vários retângulos, quadrados e suas demais partes são feitas com formas diferentes, em forma de prismas.
O monumento é feito totalmente de pedra, tendo as placas que estão ao seu redor, que contêm alguns nomes e data, feita de ferro.
Personalidade representada
Os
nomes citados nas fotos abaixo são de participantes da Revolução Farroupilha,
que em 1935 vieram para cá e fundaram a colônia de Alfredo Chaves, para se
abrigarem.
Acontecimentos que originaram a homenagem
O fato
de estes homens terem fundado a colônia de Alfredo Chaves, antiga Veranópolis.
Localização
O
monumento se localiza a direita da igreja matriz, como mostra a imagem. Além
disso, podemos tomar como ponto de referência a parada de ônibus na praça, que
fica quase ao lado do monumento.
Zeni Fiorentin Cazarotto conta que no
passado, o único tempo de lazer que ela tinha, era nos finais de semana, onde
ela ia assistir jogos de futebol com seus amigos, ia acampar na beira dos rios,
ia em festas nos clubes, nas casas de familiares. Atualmente, ela encontra seus
amigos em almoços, na praça, nos clubes que frequenta e em festas.
Ela não se
recorda de nenhum monumento que tenha marcado esses encontros, pois ela morou
em várias cidades e estados diferentes, inclusive hoje, ela reside em MT.
Monumento ao agricultor - Joana Parise e Vanessa Lora
Função: Homenagear os agricultores e imigrantes.
Traz consigo seu instrumento de trabalho, a enxada,
produtos cultivados como o trigo, a uva e o milho.
Está usando roupas simples e eu seu pescoço tem um crucifixo
que demostra a sua religiosidade. Possui um olhar sério, centrado.
Localiza-se no centro da Praça XV de Novembro, o local é
bonito, bem cuidado, arborizado, público de todas as faixas etárias frequentam
o local.
Luiz Parise conta que o tempo para lazer era pouco. Os principais locais de encontro nos finais de semana, era nas festas de capelas, casa de familiares e até mesmo na Praça XV de Novembro, na cidade de Veranópolis. Porém, era difícil ir até a praça, pela distância do centro da cidade e sua moradia.
Luiz, lembra do Monumento ao Agricultor e até brinca, chamando-o de "estátua do preguiçoso", por estar parado à tanto tempo!!!!
sábado, 27 de setembro de 2014
Lugares de encontro - Cleuza Rodrigues Lora
Aqui onde moro, os locais de encontro sempre foram a praça de Santa Helena e a praia artificial que tem na cidade. São os lugares onde os jovens se encontram, fazem festa e se divertem. Antigamente, íamos até esses locais para tomar sorvete, comer na pizzaria, tomar banho de sol, conversar, etc.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Educação e trabalho de Gemi Pavan
Ao conversar com a minha avó, ela relembrou
seu passado de uma forma breve. Comentou sobre suas idas a escola, citou que
quase sempre iam a cavalo, ela e seu irmãos, apostavam corrida até a chegada no
educandário, falou que vaziam tudo as escondidas do pai, pois ele era muito
bravo e não gostava muito dessas coisas, prevenindo que algo pudesse
acontecer.
Os estudos não foram concluídos, pois
antigamente pouquíssimos tinham condições para finalizá-los. As anotações
necessárias eram feitas em pedras, e depois, apagadas. Depois de alguns anos,
cada um tinha seu caderno, sendo que esse deveria durar muito tempo e quando
acabavam-se as folhas, era preciso apagar tudo para escrever novamente, pois as
condições financeiras eram precárias.
Referente ao trabalho, sempre trabalho na colônia, durante toda a sua infância e juventude, quando se casou e se mudou para Santa Bárbara, Gemi passou a cuidar mais da casa, porém quando fosse necessário ia ajudar o marido na colônia. Depois de alguns anos de casados José começou a trabalhar fora e Gemi ficava em casa com as crianças e fazendo os serviços domésticos.
domingo, 21 de setembro de 2014
LUGARES DE ENCONTRO: PRAÇAS, MERCADOS, FEIRAS
Olá, Meninas!
Nesta etapa do trabalho faremos
uma temática partindo das memórias dos LUGARES
DE ENCONTRO: PRAÇAS, MERCADOS, FEIRAS.
Vocês irão pesquisar junto aos avós quais as lembranças que eles possuem
desses ambientes. Se preferirem focar sua coleta de dados nas memórias que os
avós possuem da Praça XV de novembro fica a critério de cada aluna. A
investigação desses lugares de encontro permite entender como se davam as
relações sociais, o que modificou e permaneceu quanto às práticas culturais
próprias em suas expressões culturais. Lembrem-se
das fotos que sempre enriquecem a narrativa construída.
Alice , sua avó, Dona Diná, se
preferir, pode estar relatando suas
memórias da Praça, mercado e feira da cidade onde reside. Ana Paula pode seguir a mesma orientação, OK? !
As Meninas do 3º Normal podem
incluir aqui, além desta memória, a análise dos monumentos feitos na Praça VX, (juntamente
com as fotos), procurando pesquisar junto a seus avós se estes possuem alguma
memória que se relaciona ao monumento analisado, ou outros que estão situados
na mesma.
“A trajetória da cidade pode ser
lida nas diferentes marcas que os homens selecionaram para comunicar algo a
outras gerações. (...) o seu estudo possibilita o desenvolvimento de uma
atitude preservacionista.” ( MACHADO, 2002, p.56)
“A gente tem tantas memórias. Eu fico pensando se o mais difícil no tempo que passa não será exatamente isso. O acúmulo de memórias, a montanha de lembranças que você vai juntando por dentro. De repente o presente, qualquer coisa presente. Uma rua, por exemplo. Há pouco, quando você passou [...] eu olhei e pensei, eu já morei ali [...]. E a rua não é mais a mesma, demoliram o edifício. As ruas vão mudando, os edifícios vão sendo destruídos. Mas continuam inteiros dentro de você.”
Caio Fernando Abreu, em Onde Andará Dulce Veiga? (1991 , p. 188)
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
EDUCAÇÃO E TRABALHO DE LUIZA SOTILLI GASPARIN
Luiza
Sotilli Gasparin é uma mulher muito trabalhadora. Quando era criança, trabalhou
muito na roça. Carpia para limpar as plantações, plantava e colhia milho,
cuidava da uva e da horta. Além de cuidar dos irmãos mais novos, cuidava da
casa. Trabalhava bastante, mas nos finais de semana, saia para dançar com as
amigas e se encontrar com meu avô. Ainda hoje, com 88 anos e com problema em
uma das pernas, minha avó continua firme e forte preparando a comida, lavando e
secando a louça e cuidando dos netos.
Minha avó ia para a escola com seu irmão Guilherme. Ficou um
ano indo para a escola á noite para depois, se encontrar com meu avô Arduino e
passear. Não era exatamente uma escola e sim uma “casa de colônia” e, não tinha
nome. Ela lembra que tinha duas professoras: Maria e Mística, professoras
solteiras e não eram brabas. Nesse período em que ela estudou, aprendeu somente o alfabeto e a
escrever o seu nome. O lanche que a escola dava, quase sempre era: mandolato e
grostoli. Ia a pé, pois a escola era perto de sua casa. Usava uma roupa que ela
chama de “slaque”, um conjunto de calça e blusa e chinelo de dedo. Ela lembra
que quando a roupa rasgava a irmã mais velha Tatá costurava com outro tecido. A
sala de aula não tinha cadeiras e sim uma banca. Estudavam duas ou três pessoas
na mesma mesa, pois o espaço era pequeno. Tinha somente um único caderno e um
lápis e levava-os debaixo do braço. Gostava de ir para a escola, pois lá ela
ria com o irmão Guilherme e com as amigas. Infelizmente teve que parar de
estudar para ajudar seus pais em casa.
NAMORO E CASAMENTO DE LUIZA SOTILLI GASPARIN
Luiza Sotilli conheceu Arduino Gasparin quando era jovem.
Saia para festas com as amigas e o conheceu. Namoraram um tempo, mas logo
acabaram, pois, ela o deixou ficar com outra. “O amor era tão grande que
voltamos e casamos” diz Luiza. Luiza namorou só com Arduino. Minha avó não
lembra o ano em que casaram, mas, sabe que foi no dia 02/10. Lembra também, que
foi no sábado e que estava cheio de gente. Construíram sua casa em São Valetim
onde ainda mora. O tempo foi passando e minha avó teve nove filhos: Itacir, Ivo
Luiz, Neide, Irineu, Ana Maria, Sério, João Fransisco, José e Jorge. Também se
casaram e minha avó tem treze netos: Douglas, Maicon, Giovani, Juliana,
Marciele, Willian, Anelise, Nicolle, Heloisa, Joice, Elisandra, João Pedro e
Lucas e um bisneto que está a caminho. Arduino faleceu e hoje, Luiza mora com
seu filho José, sua nora Inês Marta e seus netos Willian, Heloísa e Lucas.
domingo, 14 de setembro de 2014
Educação e Trabalho de Jurema Gasparin Fabi
Quando conversei com minha avó sobre esse assunto ela se
emocionou. Segue abaixo:
“Eu sempre trabalhei. Desde pequena acompanhava a rotina dos teus
bisavós, que era sempre a mesma: Acordar com ‘as galinhas’, alimentar os
animais e logo partir para o serviço mais pesado na roça. Quando completei meus
dez anos, comecei a ajudar na roça também.
Consegui completar meus estudos, mas eu encontrava muita
dificuldade em concluí-los. Eu trabalhava além de estudar e quando chegava a
hora de colocar no ‘papel’ (na época escrevíamos nas pedras, apagávamos com ‘esponjinhas’
e tínhamos nossos lápis dentro de sacos de açúcar, arroz...), eu não sabia
mais, pois estava muito cansada para pensar em estudar.
Mesmo vendo meus colegas desistindo, eu não desisti. Segui em
frente mesmo sabendo que iria encontrar muitos obstáculos e dificuldades, mas
segui e agora sou formada em corte e costura. Nunca exerci minha função,
somente nas horas vagas, por falta de oportunidades.
Depois de me tornar adulta, trabalhei como cozinheira na Escola de
Ensino Fundamental Irmão Artur Franciso, por quase 30 anos, aposentando-me.
Hoje ainda faço cursos de costura para me manter atualizada e
informada das novas ‘modinhas’. Adoro costurar e vou deixar para ti, Chai, um
enxoval completo."
"Não importa quantos passos você deu para trás, o
importante é quantos passos agora você vai dar para frente."
- Provérbio chinês
- Charline Zaccaria Fabi
- Provérbio chinês
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Educação e Trabalho
A educação
antigamente era muito diferente na escola não existia quadro, e sim pedra,
quando precisava a professora escrevia em uma pedra com giz e os alunos
copiavam e logo depois ela apagava para escrever novamente. Cada aluno possuía seu
próprio caderno.
Não lembro muita
coisa, pois não frequentamos muito a escola.
Trabalhávamos muito,
por isso não íamos muito à escola. O trabalho era o dia inteiro na roça. Não
tinha muito tempo nem para brincar. Ou íamos para roça ou trabalhava em casa.
Resumindo nós
trabalhamos boa parte da nossa infância.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Trabalho e
Educação – Lourdes Manoel Maragno
" A escola era longe casa por isso íamos de a pé ou a cavalo, tínhamos
que cruzar o rio. Não se tinha muitas matérias como agora. Naquele tempo não se
tinha mochilas ou bolsa como agora, usávamos um saco que açúcar para por o
caderno e um lápis. Sempre ajudávamos o pai na colônia, a fazer tudo: cortar trigo, plantar milho..., quando ganhava dinheiro do pai ia até a cidade para comprar roupa ou algo que precisasse."
Casamento da minha avó Gemi
Seu casamento foi dia 25 de abril de 1959. Gemi
tinha 24 anos e José 23. A cerimônia foi realizada na Igreja Nossa Senhora de
Lourdes, em Veranópolis, o celebrante foi Sam Priano. Minha avó acredita que a
chuva que caía no dia do seu casamento abençoou o matrimônio. No ano de 1973
saíram de Santa Bárbara. Gemi e José tiveram quatro filhos, Élcio, Elda, Elton
e Elvo. Para a surpresa da família, Elvo, o filho mais novo nasceu com Síndrome
de Down e faleceu quando completou 22 anos. Em 2006, Gemi ficou viúva. Repentinamente
José precisou se despedir da família e dos amigos. As palavras que a minha vó
mais repete em relação a este acontecimento é: "Descanse em paz,
amém."
domingo, 7 de setembro de 2014
EDUCAÇÃO E TRABALHO: RINEO ANTÔNIO CASSOL E TEREZINHA ALBAN CASSOL
A educação de antigamente era totalmente diferente comparada com a de hoje, tanto pelo respeito dos alunos, quanto ao jeito de ensinar do professor.
Naquela época tudo era difícil, meu avô tinha que caminhar 3 km para chegar até a escola com seu chinelo tamanco como era chamado o calçado deles. Levantava antes da hora para ajudar seu pai a tirar leite e para conseguir comprar os seus cadernos ele caminhava até a escola trançando os chapéus e sentia-se mal, porque ele tinha colegas com mais condições que não precisavam fazer isso. Estudou até a 3ª série, hoje 4º ano.
Com minha avó não foi diferente,também acordava cedo para carpir as plantações de milho até a hora do café e depois ia caminhando até sua escola. Lá ela ajudava a limpar o jardim e asim ganhava os cadernos e livros para conseguir estudar, sofreu muito com o que os colegas falavam para ela.
Tanto na escola do meu avô quanto a da minha avó, os castigos eram puxados, quem incomodava era mandado atrás do quadro e obrigavam a ajoelhar em cima de grãos de milho, algumas vezes a professora batia com a régua nos dedos de quem incomodava, coisa que hoje não acontece mais .
No trabalho, para os dois, foi sempre a mesma coisa, trabalharam e ainda trabalham na colônia, cuidando de animais e tiravam seu sustento com o leite que era vendido e é até hoje.
Nesses últimos tempos meus tios estavam pensando em tirar meu avós da colônia, porque agora começam a aparecer as doenças e é longe para se consultarem, mas meus avós nunca irão sair de lá, pois já se passaram 45 anos que vivem ali e não vai ser agora que vão sair deste belo lugar onde marca a vida deste casal até hoje, pois é lá que a família se reúne e a festa vai até amanhecer.
NAMORO E CASAMENTO: Rineo Antônio Cassol e Terezinha Alban Cassol
Como era de costume naquela época, alguns domingos eles iam para bailes e festas em honra a sua capela, e foi no meio desses bailes que meus avós se conheceram. Suas famílias eraM amigas e isso tornou mais fácil o namoro dos dois. O primeiro beijo veio a acontecer num jantar dançante, onde cada homem podia escolher com quem dançar, meu avô escolheu minha avó e naquele tempo tinham que recitar uns versos para a moça aceitar a dança e ela deveria responder da mesma forma. Meu avô disse assim:
"Atirei limão verde, por cima de Vacaria, deu no cravo, deu na rosa, deu na moça que eu queria". E minha avó respondeu:
"Com P escrevo paixão, com R escrevo Rineo,dentro do meu coração" e depois disso a dança veio a acontecer e o primeiro beijo foi inesquecível.
Meu avô conta que ia namorar a cavalo, pois não existia meio de transporte como os carros de hoje, e a distância entre suas casas era grande. Sempre que chegava lá era bem recebido pelos seus sogros, sentava ao lado de minha avó na sala e ficava conversando com meu bisavô sobre o dia a dia. Depois de algumas horas quando já estava ficando tarde, se despedia apenas pegando na sua mão, não se davam beijos na boca perto do meu bisavô, pois era falta de respeito, beijava apenas o rosto e também não podiam "namorar" escondidos.
Depois de um ano e meio de namoro, meu avô foi servir o exército e por isso se afastaram por 2 anos, mesmo assim nunca deixaram de se amar. Quando ele voltou do exército foi procurar minha vó. Começaram a namorar outra vez e assim foi até brigarem novamente por motivo de ciúmes, mas o amor falou mais alto e foi na terceira tentativa que deu certo, casaram depois de alguns meses, a festa foi grande, tinham muitos convidados, logo após a cerimônia feita na Paróquia de Ibiraiaras foram passar sua lua de mel na casa do meu avô, que já estava morando sozinho.
Eu percebo que eles se amam muito, pois construíram uma família bem estruturada, apesar de ter perdido uma filha recém-nascida, hoje continuam com seus cinco filhos encaminhados e dia treze de outubro completarão 45 anos de casados e como disse meu avô: " O QUE DEUS UNE NINGUÉM SEPARA".
Trabalho e Educação- Ilírio Pessin
(Titi)
Os meus primeiros três anos de escola foram
na escolinha de Vila Azul. Todas as turmas estudavam juntas e a nossa
professora era a Dona Guilhermina Sassi, nós a respeitávamos muito, nunca faltei
com respeito a ela. Nós não tínhamos aquela história de ameaças na escola, a
professora não batia e nem ameaçava aluno nenhum. Lembro que o meu pai
Fioravante Afonso Pessin, ele contava que estudava somente com uma pedra lisa e
uma pedrinha branca, então ele escrevia na pedra lisa com a pedrinha branca,
depois eles tinham um pedaço de pano velho, apagavam e continuavam escrevendo.
Bom depois desses 3 anos na escola em Vila Azul meu pai quis me por em uma
escola “melhor”, então eu fui estudar nos Maristas, lá eu tinha aula de manhã e
de tarde, todos os dias, sendo que eu subia de apé ou de bicicleta, seja no calor
infernal do verão ou no inverno rigoroso com palmos de neve. Depois de um tempo
meu pai começou a pagar uma mulher e eu ia comer na casa dela, eu e o meu irmão
que também estudava comigo. O pai pagava muito bem ela e ela me fazia cada
comida, era arroz e polenta quase todos os dias, só isso.
Em casa mantínhamos muito respeito com os pais, era só o pai olhar para a
gente que nós já intendíamos. A mãe já era bem mais compreenssível, mais
afetiva conosco. Mas na mesa conversávamos bastante, sobre a escola, sobre o
dia, o que teve de diferente de especial...
Como tínhamos a fábrica de palhas que foi construída, fizemos muitas casas
para abrigar os empregados, então eu com 10 anos já comecei a trabalhar, eu já dirigia
a camionete. Eu ia até o Carrascone, que vendia tijolos, carregava, pagava e
voltava com a camionete sozinho e ainda descarregava tudo sozinho, além do
resto, que o que precisava, me chamavam eu ajudava. Já o
meu irmão vivia jogando futebol, e o pai “guai dio pelo futebol né”.
Bom na fábrica de palhas, nós comprávamos carroçadas de palha bruta que
vinham da colônia de todas as partes e de todos os tamanhos, formas, espessuras... Quando chegavam aqui, elas eram cortas de diferentes tamanhos, ai
eram classificadas pela espessura, por melhores, piores, pelos tamanhos e
cores. Então as meninas amarravam as palhas com um brabante em maços de 25
palhas. Elas eram colocadas em uma prensa com era passado papel celofane ao
redor e eram rotulados todos os macinhos. Antes de serem despachadas, as palhas eram colocadas, em um local como se fosse uma bote, e la queimávamos enxofre e
a fumaça deixava as palhas mais claras e bonitas. Depois todas as palhas eram
carregadas em caminhões aqui de casa e a cada 15 dias um caminhão saia
carregado para entregar palha em São Paulo, todas palhas só eram mandadas para São
Paulo, na fábrica de cigarros que se chamava “Irmãos Caruso".
Também tivemos bastante empregados na fábrica de explosivos que era uma
sociedade do pai e mais dois homens. E também na fábrica de tintas automotivas.
Na colônia nós tínhamos criação de porcos e também
parrerais de uva Itália e pêssegos que eram todos empacotados na planta com
saquinhos de papel celofane para não pegar bichos e nenhuma peste. Os pêssegos
e as uvas eram enormes.
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Também tinha bastante trabalho na pedreira, e lá fazíamos bastante pedras
para moer o milho, usávamos os explosivos da fábrica para explodir as rochas.
Enfim, trabalho era o que não faltava!!!!
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